Sinal de Baixa Auto-Estima: O Apego A Bens Materiais

O desejo de ter uma vida confortável e livre de preocupações financeiras é o ideal de desejo mas quando há a vontade exagerada de possuir equipamentos eletrônicos de ultima geração, caras grifes de roupas, produtos e servições luxuosos, em que muitas vezes fogem da realidade do individuo, denota uma questão seria: baixa auto-estima.

Crianças e adolescentes estão mais vulneráveis a este mal dos tempos modernos, segundo estudos da American Academy Pediatrics, que supervaloriza o consumismo e preza a exclusividade, assim de acordo com os pesquisadores, a baixa autoestima é um fator essencial no apego aos bens materiais.


A alta valorização de suas posses é muito maior em crianças com baixa autoestima do que em outras confiantes, "Possuir coisas é um amuleto no reforço da autoestima. Os bens materiais ajudam a neutralizar a ansiedade e as inseguranças que sofremos em diferentes graus no dia a dia. Quanto mais temos, desencadeamos nas pessoas sentimentos que misturam admiração e inveja. E este é o componente principal do narcisismo", explica o psicólogo Cláudio Vital.


Valores invertidos

O estudo aponta que o apego a bens materiais, como brinquedos, dinheiro e artigos esportivos é mais valorizado que estar com os amigos, ter sucesso nos esportes ou ajudar o próximo, entre as faixas de 8 a 9 anos e 12 e 13 anos, mas cai a a partir dos 14 anos, quando os motivos para a diminuição da autoestima estão mais relacionados ao período de transformações do corpo e valorização social entre amigos. "Um indivíduo que consegue ter sucesso passa a ser visto como alguém com capacidade superior e por isso ganha o respeito do grupo. Assim, os bens se tornaram a base para a aprovação e para a autoestima", analisa Claudio Vital.

De acordo com o profissional, este comportamento explica o motivo para que tantas pessoas busquem desesperadamente mostrar sinais de riqueza aos outros, ainda que não possuam recursos. Segundo o médico, o comportamento demonstra pouco desenvolvimento pessoal e imaturidade.

Prevenção contra o narcisismo

Especialistas são unânimes em eleger o consumismo como um dos grandes vilões da vida moderna. Além de instabilidade financeira, o mal pode interferir na saúde psíquica das pessoas, levando os indivíduos a um quadro depressivo. De acordo com especialistas, os cuidados para evitar o dano devem começar ainda na infância. Ensinar as crianças que não podem ter tudo evita que elas venham a se tornar adultos narcisistas.

Segundo o psicanalista, é comum ceder aos caprichos dos filhos e confundir a atitude com amor. No entanto, ele alerta que as crianças, na verdade, pedem atenção e reconhecimento dos pais, ou seja, algo que pode ser dado de forma natural e que não gera gastos. Orientar e demonstrar carinho ajuda a desenvolver a autoconfiança e consequentemente aumenta a autoestima, segundo o profissional. A manutenção do narcisismo das crianças vai refletir na vida adulta. Educar é a melhor prevenção para não se formar um adulto arrogante e com ego inflado.

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