19 de novembro de 2017

Mantra e Psicanálise


A palavra Mantra, se origina de duas palavras do sânscrito "Man" mente e "Tra" controle, seu plural Mantram. Os Mantras são do Hindusimo e usados também no budismo e jainismo, além de outras práticas espirituais que não tem vínculo com religiões estabelecidas.


Os mantras são entoados como orações repetidas, no Budismo Tibetano Mahayana usa mantras em tibetano, o Zen-budismo do Japão os usa em japonês.

Para algumas escolas, especificamente as de fundamentação técnica, o Mantra pode ser qualquer som, sílaba, palavra, frase ou texto, que detenha um poder específico. Mas, para essas escolas, é fundamental que pertença a uma língua morta, na qual os significados e as pronúncias não sofram a erosão dos regionalismos por causa da evolução da língua. Existem mantras para facilitar a concentração e meditação, mantras para energizar, para adormecer ou despertar, para desenvolver Chakras (centros de energia) ou vibrar canais energéticos a fim de desobstruí-los.

De acordo com o Tantrismo, cada coisa, seja qual for sua constituição, nada mais é que uma concentração de energia, uma vibração. Toda vibração de um objeto produz uma modificação, que poderá ou não ser apreendida pelo homem.


Nos hinos do Rig-Veda, os Mantras eram apresentados como instrumentos etéricos para o homem atingir a integração da consciência humana com a consciência cósmica. Segundo os Rishis (sábios), os Mantras impregnam o éter supremo e imperecível, onde os deuses estão presentes. A linguagem humana, nascida da utilização da voz, é a manifestação, no físico, de uma tensão psicológica gerada num plano mais sutil: o mental.


Portanto, falar gera a libertação de tensões e existem duas maneiras de falar: a mecânica, na qual a linguagem nada mais é do que o resultado de um processo “digestivo” mental onde as palavras são apenas conceitos "mal digeridos" que irão, por sua vez, ser absorvidos pelos outros para, incorporando-se em suas naturezas nervosas, serem novamente expelidos e permitir a continuação do processo. E com ele todas as infecções psíquicas causadas pelas contaminações decorrentes da falta de higiene dos que são obrigados a viver no meio do esgoto para onde fluem os subprodutos da mente humana.


A linguagem intencional é a outra forma, nascida de uma experiência em primeira mão da realidade, é a palavra correta, não contaminada, que brota do aqui e agora. Essa palavra não contamina, mas cura.

OS MANTRAS

Os Mantras servem para várias finalidades. Vejamos algumas relacionadas aos objetivos da psicanálise:
Libertação secundária: refere-se ao alívio de uma angustia que nos aperta até a cura de uma neurose, quando é atingido aquilo que convencionalmente chamamos de “saúde psíquica”.
Evitar a má influência: auxilia na criação de uma "barreira" contra a contaminação psíquica, de imensa utilidade, mas que continua desconhecendo as regras básicas da higiene hiperfísica.
Exorcizar os demônios: em primeiro lugar, temos que situar devidamente o que seja demônio no mundo tântrico, são como nuvens de força atraídas pelos seres de acordo com o seu estado interior (seus pensamentos e sentimentos naquele momento). A neurose, no conceito tântrico, é a posse do paciente por um conteúdo psíquico que o infecta e destrói a sua paz. A remoção da causa, a conscientização da mesma através de várias técnicas é o verdadeiro exorcismo. 

Numa de suas obras, o psicologo e psicanalista, Dr. Carl Gustav Jung chama a atenção para a influência através do inconsciente coletivo de certas vibrações advindas de pessoas desajustadas. “Grande aglomerações de pessoas são sempre um campo propício para epidemias psíquicas, volume 9, do ensaio intitulado “Concerning Rebirth”. E no volume 17 do “The Development of Personality”, relata: “As doenças psíquicas e nervosas das crianças dependem enormemente das perturbações no mundo psíquico dos pais. Todas as dificuldades dos pais refletem-se, sem falhar, na psique da criança”.
Curar doenças: a doença é uma quebra de ritmos. Uma dissonância na harmonia natural do funcionamento do sistema psicofísico e a forma pela qual muitas doenças físicas aparecem depois de um período de incubação no psíquico, é a psicossomatização. Nesse caso, a cura é a reconstituição dos tecidos psíquicos e poderá ser acelerada pelo uso adequado do som.
Influenciar as ações e pensamentos dos outros: segundo o Tantra, podemos, mediante a repetição adequada do Mantra, auxiliar os outros. Um Mantra é um som, uma vibração. Toda vibração tem uma forma, uma estrutura e um ritmo, é um campo vibratório que atua diretamente sobre os que estão em contato direto com ele. A mãe que acalenta o filho está, na sua espontaneidade, emitindo um Mantra que produz resultados marcados. Há uma série de fórmulas mântricas usadas com essa intenção. Esse material pode ser encontrado em obras de Mantra-Yoga.
Purificação do corpo humano: antes de certos rituais, o homem tem que se submeter a um processo de assepsia, tanto fisico quanto espiritual com mantras, é uma espécie de detergente interno para a remoção da escória acumulada pela vida afora, ou mesmo de outras encarnações.
A eficiência do Mantra não é uma questão de teoria. É um segredo que se revela ao coração do homem e que depende de cada um de nós comprovar. É interessante na utilidade de clínica psicanalítica, o uso de mantras, tanto pelo terapeuta como pelo analisando.
Na Mitologia Hindu, cada deus possui seu mantra. Significa dizer que se queremos uma conexão com partes mais sublimes de nosso Inconsciente, podemos acessá-las usando os mantras correspondentes.
O Mantra atua tanto no próprio emissor como nos receptores que tiveram possibilidades de com ele entrar em ressonância. Mesmo aqueles que não ressoam, que não são autoconscientes, são beneficiados, assim como toda a coletividade.
Ao longo dos anos, os ocidentais que chegaram ao oriente tentaram explicar porque os Mantras produzem os efeitos esperados. O pesquisador britânico John Blofeld, estudioso sobre mantras e espiritualidade, notou que não é necessário saber o significado das palavras ditas e mesmo assim tem resultados importantes.
Pesquisadores defendem que o mantra possui uma energia sonora que movimenta outras energias que envolvem quem o entoa. Muito comum é o apoio do Japamala, uma espécie de rosário utilizado para contar a repetição de 108 vezes que um mantra geralmente deve ser entoado.


Infográfico sobre Chakras