A Discussão e o Conceito em Filosofia



Morte de Sócrates
Muitas pessoas discutirem sobre diversos assuntos relacionados à política e algumas lançam mão de técnicas de oratória, mas com alguns casos de pouco êxito. E a discussão é objeto da Filosofia?

O grego Sócrates é o patrono da Filosofia, desde Platão a Soren Kierkegaard, muitos filósofos debruçam sobre a Filosofia de Sócrates e é dele que vem a melhor distinção entre conceito e discussão.

Devemos recordar que esta distinção socrática é metodológica pois, de um lado, tínhamos Sócrates e, de outro, tínhamos os Sofistas.

Na visão socrática o interlocutor não é visto como um oponente, mas como outro que juntos investigam e buscam o conceito. Quando Sócrates questionava o que era justiça, o seu alvo era o conceito de justiça e seu interlocutor um investigador auxiliar nessa busca para a resolução da questão proposta.

Em diversas obras o objetivo não atingia diretamente o alvo e a investigação, através do diálogo com o interlocutor, resultava em aporia. Mas, mas não há aqui um despropósito do método socrático, pois se não conseguimos definir “o que é”, o conceito, conseguimos eliminar os obstáculos que outrora tínhamos, que era os exemplos dos casos de justiça que nublavam o conceito em si da justiça. Desta mesma forma acontecia com a busca de outros conceitos como o belo por exemplo.

A distinção metodológica de Sócrates está no fato deste ter como objetivo a busca do conceito que, juntamente com o rigor de provas – refutação, colocou-o em constante investigação, se o conceito não foi atingido, a investigação deve continuar. Portanto, o diálogo deve continuar sendo esta parte do caminho para atingir o alvo. E o interlocutor socrático, por ora meu colega de investigação, não teve sucesso em apresentar o conceito, pois não passou na prova da refutação.

No caso dos Sofistas o alvo era a própria discussão então torno meu interlocutor como adversário e vencer o discurso é o objetivo, eis a definição da erística. Perde-se o conceito como alvo do diálogo e este deixa de ter tal característica e torna-se uma discussão ou debate.  Resumidamente, meu interlocutor deixa de ser outro o outro indivíduo investigando e é somente um adversário e esquece-se o objetivo da investigação, o conceito, tendo apenas, como alvo, a vitória na argumentação.
A filosofia é uma construção de conceitos. O Filosofo Charles Sanders Peirce nos traz um exemplo ao definir o conceito de signo:
"Há três tipos de interesse que podemos ter em uma coisa. Em primeiro lugar, podemos ter um interesse primário na coisa ela própria. Em segundo lugar, podemos ter um interesse na coisa devido a sua reação com outras coisas. E, em terceiro lugar, podemos ter um interesse meritório na coisa, na medida em que traz à mente uma ideia sobre a coisa. Ao fazer isso, vem a ser um signo, sign, ou representação." PEIRCE
No âmbito do texto filosófico a construção de conceito é o objetivo central e final. E, secundariamente, coloco sob prova, refutação, a hipótese de conceito posta pelo meu interlocutor.
Mas se definirmos a filosofia apenas como um instrumento para o debate e a discussão, estamos perdidos no nosso próprio método. Usando uma terminologia próxima de Heidegger: a filosofia definida nestes termos é o esquecimento do conceito.