Psicanálise e a Atualidade


Estamos em uma momento da história da humanidade em que há mudanças significativas, que não acontecem somente nas áreas do conhecimento e tecnologia, mas também das relações, comportamentos e valores. 

Fisiologicamente não estamos preparados para tantas mudanças em tão pouco tempo, vivemos um momento em que as mudanças estão cada vez mais rápidas e maiores, mas você queira ou não tem que lidar com elas. 

Conhecimentos novos são ultrapassados por outros e se tornam rapidamente velhos ou errôneos, com essas mudanças rápidas e bruscas, nós não temos ou dispomos pouco tempo para pensar ou refletir, ou seja, nao agimos mas reagimos, procurando por resultados e assim os meios tornam-se secundários.

Com tantas e tão bruscas mudanças, não há tempo para pensar ou refletir, o homem moderno não pode agir, o sistema o obriga a reagir. O que importa são os resultados, os meios tornaram-se secundários. São exigidas soluções rápidas e objetivas, não se importando consigo mesmo, se interiozando mais, ouvindo seus pensamentos e seu próprio corpo. 

A Psicanálise, ciência que tem mais de 100 anos, parece deslocada nessa época da 'instantaneidade' em que as pessoas procuram soluções rápidas para suas angústias, pois são os resultados mais rápidos são os mais importantes, pensam assim. Com isto o uso de psicotrópicos cresce exponencialmente numa tentativa de resolução de problemas, proporcionando a Felicidade e bem-estar, mas que em Psicanálise pode levar um bom tempo e mesmo assim não ocorrendo os resultados esperados, como repassar isso a essa sociedade que a Psicanálise pode ser uma ótima alternativa?

Quando Sigmund Freud descobriu a Psicanálise, em meados do inicio do século 20, surgia uma nova ciência que contrariava comportamentos e crenças da época. Sexualidade era um tabu, mas Freud falava abertamente, mostrando a existência de uma sexualidade infantil, máximo do tabu na época onde eram vistos como seres angelicais assexuados. Incomodou toda a sociedade, retirando do homem sua pureza e ilusão de poder sobre si, revelou a existência de um inconsciente que se encontra além de sua vontade e controle.

Freud com sua descoberta coloca o ser humano, um ser altamente produtivo e com sentimento de capacidade, frente a um vazio, o vazio da perda de si mesmo, que no afã de ter, se esquece de ser. Sempre tem que possuir o aparelho mais moderno possível, tem que estar ciente de tudo o que acontece a sua volta e no mundo, tem que estar na moda, tem que! Assim, se perde o contato consigo, aliena-se de seu existir por conta da procura de algo exterior apenas para complementar a falta ou o receio de se encontrar consigo mesmo.

Essa perda de contato interior é perigosa e desvirtuosa, torna o ser a semelhança de maquinários, não pensantes ou sem emoções, criando uma criatura que se sente onipotente que procura atingir o máximo da produtividade e eficiência, mecanicamente realiza suas tarefas e nega seus sentimentos por conta de sua competência para  alcançar o reconhecimento e assim lustrar seu ego.

A Psicanálise é importante e, até imprescindível, neste momento para este ser pós-moderno,  pode e consegue, verdadeiramente, resgatar-lhe a sua humanidade, à medida que poderá tirá-lo da ilusão onipotente de ser uma máquina eficiente e capaz de produzir e consumir ilimitadamente.

Durante essa "viagem" analítica, que ocorre na terapia, se entra em contato com nossos sentimentos e convivemos com nossa intimidade, percebemos o distanciamento dos valores que aconteceram durante tempos na nossa procura desenfreada por valores fúteis, nos levando, paulatinamente, degrau por degrau, a uma reflexão saudável de nossos valores, que leva a um sentido de retorno a si, para pensar e repensar em si e rever valores e atitudes.