Treine Seu Cérebro Para Lembrar Quase Tudo

O sucesso é amplamente baseado no que você sabe, isto influencia nas escolhas que faz e essas escolhas aproximam do que deseja ou aumentam distância entre você e seus metas na vida.

Muitos querem aprender melhor e mais rapidamente, reter mais informações e poder aplicar esse conhecimento no momento certo, mas a realidade é que esquecemos muito do que aprendemos.

O esquecimento humano segue um padrão, pesquisas demonstram que em uma hora apenas, se nada for feito com novas informações, a maioria das pessoas terá esquecido cerca de 50% do que aprendeu, após 24 horas esse valor cresce para 70% e após uma semana sem que essas informações sejam usadas, até 90% delas podem ser perdidas.

Para melhorar a aquisição e retenção de conhecimento, novas informações devem ser consolidadas e armazenadas com segurança na memória de longo prazo.

De acordo com Elizabeth Bjork, PhD, professora de psicologia cognitiva da UCLA, Universidade da California, que trabalhou em uma teoria do esquecimento junto com Piotr Wozniak, pesquisador polonês mais conhecido por seu trabalho no SuperMemo, um sistema de aprendizado baseado na repetição espaçada, memória de longo prazo pode ser caracterizada por dois componentes: força de recuperação e força de armazenamento.

A força de recuperação mede a probabilidade de você se lembrar de algo agora ou o quão perto está da superfície da sua mente. E a força do armazenamento mede a profundidade da raiz da memória.

Se queremos que nosso aprendizado continue, precisamos fazer mais do que apenas ler um livro toda semana ou ouvir passivamente um audiolivro ou podcast, siga essas três dicas principais:

Releia: leia novamente capítulos ou partes do livro que não compreendeu na primeira vez

Escrever: escreva o que aprendeu na semana anterior e pratique antes de passar para a próxima lição

Anotações: crie o hábito de fazer anotações, pode ser ao lado do texto estudado ou em um caderno separado por assunto, de preferência, pois assim é fácil para consultar e ajuda a consolidar o conhecimento novo em sua memória

Pesquisas indicam que, quando uma memória é registrada pela primeira vez no cérebro, especificamente no hipocampo, ela ainda é "frágil" e facilmente esquecida.

Nosso cérebro está constantemente gravando informações temporariamente para separar informações vitais da confusão, trechos de conversas que você ouve no caminho para o trabalho, coisas que vê, o que a pessoa à sua frente estava vestindo, discussões no trabalho etc., o cérebro despeja tudo o que não voltar a aparecer no futuro recente o mais rápido possível para abrir caminho para novas informações.

Se você quiser se lembrar ou usar novas informações no futuro, precisará deliberadamente armazená-las em sua memória de longo prazo.

Esse processo é chamado de codificação, que imprimi informações no cérebro. Sem a codificação adequada, não há nada para armazenar e as tentativas de recuperar a memória posteriormente falharão.

No final do século 19, Herman Ebbinghaus, psicólogo alemão, foi o primeiro a abordar sistematicamente a análise da memória. Sua Curva de Esquecimento, que explica o declínio da retenção de memória no tempo, contribuiu para o campo da ciência da memória, registrando como o cérebro armazena informações.

Segundo Ebbinghaus: "Mais repetições com uma distribuição adequada delas ao longo de um período é muito mais vantajosa do que a massa delas ao mesmo tempo".


Na pesquisa da Universidade de Waterloo em que se estuda como esquecemos, os autores argumentam que, quando se lembra deliberadamente de algo que aprendeu ou viu há pouco tempo, envia um grande sinal ao cérebro para se apegar a essas informações, explicam: “quando a mesma coisa é repetida, seu cérebro diz: 'Ah, aí está novamente, é melhor eu manter isso.'

Quando você é exposto à mesma informação repetidamente, leva cada vez menos tempo para 'ativar' as informações na memória de longo prazo e fica mais fácil recuperá-las quando você precisar.”

A maior parte da aprendizagem ao longo da vida envolve alguma leitura e escuta inevitavelmente mas, ao usar uma variedade de técnicas para comprometer novos conhecimentos na memória, você consolidará novas informações mais rapidamente e melhor.

4 Técnicas para Armazenar Conhecimento para Retenção na Memória 

Método da Repetição Espaçada


Repetir a aquilo que está tentando reter por um período, por exemplo, quando ler um livro e realmente gosta dele, em vez de guardá-lo, importante reler novamente depois de um mês, depois novamente três meses, depois novamente seis meses e depois novamente um ano.

A Repetição Espaçada aproveita o efeito de espaçamento, um fenômeno da memória que descreve como nosso cérebro aprende melhor quando separamos as informações ao longo do tempo.

Sempre que aprendemos algo novo, nossa mente 'expulsa' informações antigas que julga desnecessárias, então, com a Repetição Espaçada as informações antigas se solidificarão em conexões neurais mais "sólidas" e com os novos conhecimentos adquiridos serão efetuadas outras novas conexões.

A Regra 50/50


Dedique 50% do seu tempo para aprender algo novo e o restante para compartilhar ou explicar o que aprendeu para alguém ou seu público.

Pesquisas mostram que explicar um conceito para outra pessoa é a melhor maneira de aprendê-lo. A regra 50/50 é a melhor maneira de aprender, processar, reter e lembrar informações.

Por exemplo, em vez de concluir um livro, tente ler metade e tente relembrar, compartilhar ou escrever as ideias-chave que aprendeu antes de prosseguir. Ou melhor ainda, compartilhe esse novo conhecimento com seus colegas. Uma dica interessante é colocar na Internet em forma de podcasts ou mesmo de vídeos e acompanhar seus inscritos, explicando-lhes pontos de dúvidas e outras informações pertinentes, assim se solidificará o conhecimento adquirido.

A Regra 50/50 pode ser aplicada a capítulos individuais, conforme for lendo, ao invés do livro inteiro. Esse método de aprendizado funciona muito bem se você deseja reter a maior parte do que está aprendendo. O teste final do seu conhecimento é a sua capacidade de transferi-lo para outra pessoa.

O americano Adam Grant, psicólogo e colunista do The New York Times, diz que “A melhor maneira de aprender algo realmente é ensiná-lo - não apenas porque explicar ajuda a entender, mas também porque recuperá-lo ajuda a lembrar”.

Demonstrações de Tópicos

Outro método valioso é aproveitar ao máximo as demonstrações de tópicos para entender um tópico de dentro para fora. Ao contrário de simplesmente ler ou ouvir uma explicação, as demonstrações mostram como algo funciona e ajudam a visualizar o conceito.

Ao aprender fotografia, design, falar em público, negociação ou uma nova tecnologia útil, assistir a vídeos instrutivos que demonstram o que você está tentando aprender pode melhorar sua taxa de retenção.

Dormir


O sono é uma poderosa ajuda entre as sessões de aprendizado. Dormir depois de aprender é uma parte crítica do processo de criação de memória e dormir antes de aprender fortalece sua capacidade.

As evidências mostram que pequenos cochilos ajudam a reforçar o material aprendido. Os autores explicam: "Sugerimos que o mero início do sono possa iniciar processos ativos de consolidação que, uma vez acionados, permanecem eficazes mesmo que o sono seja interrompido logo após".

Os resultados mostram que mesmo um período de sono é suficiente para ajudá-lo a lembrar o que você aprendeu. Cochilos mais longos, com mais de 60 minutos, também são ótimos para armazenar novas informações em nossa memória permanente.

Um boa noite de sono é ainda melhor para recuperar a memória e pensar com clareza. Quanto mais a mente é usada, mais memória robusta pode se tornar.

Assumir o controle do armazenamento de informações não apenas ajudará a reter novas informações, mas também reforçará e aperfeiçoará o conhecimento que você já possui.

Utilizar de tratamentos alternativos como a Hipnose e a prática de exercícios físicos podem auxiliar e muito no processo de aprendizagem, elaboração e retenção de novos conhecimentos.