Sonhos: por que sonhamos?

Os sonhos são muito significativos e fazem parte da história, mitologia e religião.

Há diversos registros que mostram que civilizações antigas 'os interpretavam como ensinamentos de antepassados ou profecias.

O caso da história que envolve a morte do imperador romano Júlio César, sua esposa, Calpúrnia, teria relatado um sonho com o assassinato dele um dia antes do acontecido no ano de 44 a.C.

Essa era a ferramenta que os humanos tinham para tentar prever o futuro; os sonhos são reflexo do passado, mas, ao mesmo tempo, aquilo que de fato poderia acontecer no futuro”, comenta o Neurocientista Sidarta Ribeiropesquisador do Instituto do Cérebro da Universidade do Rio Grande do Norte.

São realmente importantes?

As teorias para explicar sobre as experiência oníricas ganharam impulso a partir dos anos 1950, desde então, as pesquisas avançam.

Um terço de nossa existência passamos dormindo, mas sonhamos por pouco tempo, são alguns minutos por vez, aproximadamente seriam 6 anos, de nossas vidas sonhando em média.

O cérebro não descansa durante o sono, pelo contrário, está mais ativo até que em estado de vigília, por muitas vezes até o dobro de quantidade de sangue seja necessário, mas há uma parte que pára de "funcionar" quando dormimos, o centro lógico. 

Por isso que os sonhos tem o ar de irrealidade e, enquanto isso, nosso cérebro envia mensagens à medula espinal paralisando os membros temporariamente, há uma única exceção, nossos olhos, que efetuam movimentos rápidos na fase REM, de acordo com a atividade no sono. 

Durante nosso sono o cérebro descarta memórias e outras são armazenadas. Por isso um cochilo ou uma boa noite com qualidade de sono após a rotina de estudos, é de importante para poder lembrar da matéria nos dias seguintes.

Outro fato interessante é que nosso cérebro tenta resolver questões ocorridas durante o dia, por isso, dormir pode ajudar a encontrar a solução para um problema que não se conseguiu resolver em vigília.

A História dos Sonhos

Os sonhos podem ser reflexos fiéis ou simbólicos de nossos medos ou desejos que ocupa nossa mente. São comuns os pesadelos evocarem medos relativos a falta de autoconfiança, por exemplo, sonhar que se está nú em público e não pode se cobrir.

Sigmund Freud, pai da Psicanálise, argumentava que a função dos sonhos era satisfazer os nossos desejos, mas esta é apenas uma das muitas respostas para a pergunta: por que sonhamos e qual o papel os sonhos desempenham?

No livro "A Interpretação dos Sonhos", Freud não consegue responder completamente à essas questões.

Para Carl G. Jung, colega de Freud, os sonhos seriam uma tentativa da própria consciência para regular e compensar situações vividas.

A análise do sonho é individual e depende de outros fatores como o contexto em que a pessoa está vivendo no momento para se entender o que o sonho tenta dizer ao paciente, não há um modelo genérico, daí vemos que definir o que é um sonho não é nada fácil.

Povoam o imaginário de diversos pensadores por muito tempo, mas na década de 1950 que esse processo onírico ganhou mais atenção científica com a descoberta do Sono REM, sigla em inglês "rapid eye moviment", movimento rápido dos olhos, resultado de estudos dos pesquisadores da Universidade de Chicago.

Na fase do sono REM a atividade cerebral está mais intensa e que ocasiona os sonhos mais vividos.

Segundo Sidarta Ribeiro, "são um aprendizado lento e gradual que provavelmente começa no útero materno, com a formação das primeiras representações sensoriais na fronteira do corpo com o mundo exterior. Os sonhos evoluíram depois de um longo processo de desenvolvimento do sono, ainda no início da vida multicelular”.

Mas a ciência não consegue dizer o porquê de cada elemento, como preza o conhecimento popular, e afirma que cerca de um terço de nossa vida que passamos dormindo é um processo biológico importante para manutenção da saúde física e mental.

Dormir bem traz inúmeros benefícios à saúde, mas a má alimentação, bebidas alcoólicas, estresse, traumas, tabagismo, práticas esportivas exageradas ou sem orientação, uso de drogas podem prejudicar a qualidade do sono e influenciar os sonhos.

Procure não se ingerir a noite alimentos muito gordurosos ou processados, deite cerca de uma hora a uma hora e meia depois, no mínimo, procure manter uma rotina de se deitar no mesmo horário e crie um ambiente favorável a uma boa noite de sono. 

Procure ajuda quando perceber que sua qualidade de sono está prejudicada.